Vinte e Sete Cristãos Morrem a Caminho de Conferência no Zimbábue

Micro-ônibus que levava membros de uma congregação colidiu com um caminhão. O país registra em média cinco mortes por dia no trânsito.

BOLETIM DA MESA

Wender Gabriel

9/7/20262 min read

micro-ônibus foi destruído pelo fogo após a colisão. (Foto: Reprodução/Correio da Manhã)

O que aconteceu

Vinte e sete pessoas morreram e outras sete ficaram feridas em uma colisão entre um micro-ônibus e um caminhão de carga no Zimbábue, no fim de agosto. Todas as vítimas eram membros de uma mesma congregação cristã e se deslocavam para participar de uma conferência. O presidente Emmerson Mnangagwa manifestou pesar pela tragédia.

Contexto

Acidentes envolvendo veículos superlotados são frequentes no país. As chamadas kombis, táxis coletivos amplamente usados pela população, costumam transportar mais passageiros do que o permitido. As autoridades atribuem 94% dos acidentes à imprudência ao volante, mas as más condições das estradas, cheias de buracos por falta de manutenção, também figuram entre as principais causas. Segundo a agência nacional de estatísticas, o Zimbábue registra em média um acidente de trânsito a cada quinze minutos e ao menos cinco mortes por dia.

Repercussão

A Comissão Econômica das Nações Unidas para a África observa que o problema não se restringe ao Zimbábue. Cerca de 300 mil pessoas morrem em acidentes de trânsito no continente todos os anos, aproximadamente um quarto do total mundial. Ainda que a África concentre apenas cerca de 3% dos veículos registrados no planeta, ela apresenta a maior taxa de mortes no trânsito do mundo. A comunidade cristã local se mobilizou para amparar as famílias enlutadas.

Análise do Boletim da Mesa

Não há mistério teológico nesta notícia, e é exatamente esse o problema.

Vinte e sete pessoas iam a uma conferência cristã e não chegaram. Não morreram por causa da fé, não foram perseguidas, não houve inimigo. Um caminhão, uma estrada ruim e um veículo cheio demais. Este tipo de morte é o que a nossa cultura de fé tem mais dificuldade de processar, porque não rende nem testemunho de vitória nem coroa de martírio.

E há uma tentação que precisamos nomear. Diante de algo assim, muita gente tentará explicar. Alguém dirá que faltou cobertura, que faltou oração de estrada, que era o tempo determinado. Estamos falando de trinta e quatro famílias. A primeira coisa que a teologia deve fazer diante delas é calar e sentar no chão.

O que a fé cristã oferece aqui não é explicação, é companhia e esperança. Cristo chorou diante do túmulo de um homem que ele sabia que ia ressuscitar em minutos. Se ele chorou sabendo o desfecho, nós podemos chorar sem saber.

Vale acrescentar o que a notícia diz sem dizer. Cinco mortes por dia no trânsito é uma questão de infraestrutura e de pobreza, e cristãos não morrem fora do mundo em que vivem. Amar o próximo, naquele país, inclui cobrar estradas.

Juntos à Mesa refletimos que:

Nem toda morte tem lição. Algumas só têm luto, e Deus não se ofende com o nosso luto. Ele se ofende com as explicações apressadas que damos no lugar dele.

Boletim da Mesa — Informação, reflexão e teologia à mesa.

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