Pastor Batista é Executado pelo Regime Militar de Mianmar
Ele pastoreava a mesma igreja havia 25 anos. Ficou no lugar porque acreditou que ser pastor o protegeria.
BOLETIM DA MESA
Wender Gabriel
9/6/20262 min read


O pastor William, líder da Chungcung Baptist Church, em Mianmar. (Foto: ICC)
O que aconteceu
O pastor William, líder da Chungcung Baptist Church, no estado de Chin, em Mianmar, foi morto por militares junto com o cristão Nam Ceu em 4 de junho. A confirmação da morte só veio no fim de agosto, após meses de buscas por informações sobre o paradeiro dos dois. William serviu como pastor sênior da igreja por 25 anos e deixou esposa e cinco filhos.
Contexto
Segundo o Burma Research Institute, William e Nam Ceu foram presos em 16 de maio por soldados da 77ª Divisão de Infantaria Leve, em um abrigo rural a cerca de um quilômetro e meio da vila de Chungcung. Cinco pessoas estavam no local quando os militares chegaram. Três conseguiram fugir. William permaneceu porque acreditava que sua identificação como pastor garantiria sua segurança. Ele foi acusado de apoiar a Hakha Chinland Defense Force, grupo armado que combate o regime. A organização classificou o episódio como execução extrajudicial, realizada sem julgamento ou devido processo legal. Líderes cristãos procuraram autoridades militares em busca de informações e não receberam resposta. Um culto memorial foi realizado em Chungcung em 26 de agosto.
Repercussão
A vila de Chungcung tem cerca de trezentas casas. Desde o golpe militar de 2021, 118 residências foram queimadas ou destruídas, dezesseis civis foram mortos e outros cinco ficaram feridos. Em outubro de 2021, soldados ocuparam e saquearam o próprio templo da Chungcung Baptist Church. O estado de Chin, onde os cristãos são maioria, está entre as regiões mais atingidas pelo conflito. O reverendo Robin Stoops, presidente do conselho do BRI, declarou solidariedade à família, à congregação e aos irmãos Chin, e pediu que a comunidade internacional responsabilize os envolvidos.
Análise do Boletim da Mesa
Um detalhe desta notícia deveria nos deter mais do que a estatística.
William ficou. Os outros correram e ele ficou, porque achou que a identificação de pastor bastaria. Não bastou. Existe algo terrivelmente humano nisso, e existe algo que expõe o quanto a igreja em contextos de perseguição opera com uma expectativa de dignidade que o mundo não está obrigado a honrar.
Vinte e cinco anos na mesma congregação também merece registro. Não foi uma figura pública internacional, não tinha plataforma, não deixará biografia. Era um pastor de aldeia que envelheceu servindo trezentas casas. Deus contou os cinco filhos que ele deixou.
E há o intervalo. Ele morreu em 4 de junho e só se soube em agosto. Durante quase três meses, uma esposa procurou, uma congregação orou por um homem que já estava com o Senhor, e ninguém respondeu. Esse silêncio é parte da crueldade, e ele não aparece em nenhum relatório.
Juntos à Mesa refletimos que:
Lembrar dos presos como se estivéssemos presos com eles é um mandamento, não um sentimento. E o mínimo que a igreja daqui pode fazer é aprender o nome de quem morreu lá.
Que o Pastor Willian não seja jamais esquecido!
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