"Esta é a Geração que Vai Preparar a Igreja", Diz André Mendonça em Pregação

O ministro do STF, que também é pastor presbiteriano, pregou sobre avivamento e disse crer que o Brasil será o grande celeiro missionário do mundo.

BOLETIM DA MESA

Wender Gabriel

9/8/20262 min read

Foto: Reprodução/YouTube/ADVEC Assembleia de Deus Vitoria em Cristo)

O que aconteceu

O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça afirmou, durante pregação na Igreja Presbiteriana de Pinheiros, em São Paulo, onde serve como pastor, que crê estar em curso um tempo de avivamento na Igreja. Segundo ele, a geração atual é a que vai preparar a Igreja não apenas para o século 21, mas as bases para o século 22. O vídeo da pregação foi compartilhado por Mendonça em seu Instagram no domingo, 30 de agosto.

Contexto

A mensagem teve por base o capítulo 2 de Atos, tratando do cumprimento da promessa da descida do Espírito Santo no dia de Pentecostes e do início de uma nova etapa na história da Igreja. Mendonça afirmou que muitos dos jovens e crianças presentes viverão a transição de um século para o outro, e que à geração atual foi dado o ministério, o dever e a responsabilidade de preparar essas bases, não pelo poder próprio, mas pelo poder do Espírito Santo. No mesmo sermão, declarou crer que o Brasil será o grande celeiro missionário do mundo e que a igreja evangélica brasileira precisa crer que Deus transformará não só o país, mas todos os confins da terra.

Repercussão

A pregação repercutiu por conta da posição do pregador. Mendonça é o segundo ministro do STF a exercer ministério pastoral em atividade, e sua indicação à Corte, em 2021, foi tratada como marco na presença evangélica nas instituições brasileiras.

Análise do Boletim da Mesa

Vale começar separando duas coisas que a imprensa mistura e que nós não devemos misturar. O ministro do Supremo e o pastor presbiteriano são a mesma pessoa, mas não estão exercendo a mesma função. Um sermão sobre Atos 2 num domingo não é ato de gabinete, e tratá-lo como tal é confusão de categorias.

Dito isso, o conteúdo merece atenção porque ele é típico de um discurso muito difundido entre nós, o do Brasil como celeiro missionário do mundo. É uma frase bonita e ela pode significar duas coisas bem diferentes.

Pode significar disposição concreta para enviar, sustentar e formar obreiros, o que é bíblico e caro. Ou pode significar aquele orgulho nacional espiritualizado que nos faz sentir protagonistas do plano de Deus sem que nenhuma igreja local aumente um centavo no orçamento missionário. A primeira versão custa. A segunda emociona a plateia e não muda nada.

Sobre o avivamento, uma nota de sobriedade. Toda geração cristã já se achou a geração da transição. Isso não é defeito, é esperança escatológica, e ela é legítima. Mas Atos 2 não descreve uma geração que se anunciou. Descreve uma que estava reunida, orando, esperando, e foi surpreendida. A ordem importa.

Juntos à Mesa refletimos que:

Preparar as bases do século que vem é trabalho de quem ensina, envia e sustenta, não de quem profetiza. Nenhuma geração se torna avivada por afirmar que é.

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