Equipe de Evangelistas é Expulsa do Burning Man Após Batizar Participantes

Festival que se define pela expressão radical retirou o grupo do local após uma reclamação. Eles pregavam e batizavam em uma banheira improvisada.

BOLETIM DA MESA

Wender Gabriel

9/9/20262 min read

Foto: Reprodução/Instagram @philiprenner

O que aconteceu

Uma equipe de evangelistas liderada por Philip Renner foi retirada do Burning Man, um dos maiores festivais anuais dos Estados Unidos, realizado no deserto de Black Rock, em Nevada. O grupo havia ido ao evento para pregar, orar pelas pessoas e batizar novos convertidos. Segundo o relato dos participantes, seguranças os abordaram e informaram que deveriam deixar o local após uma reclamação apresentada contra a equipe.

Contexto

A equipe manteve um trailer no festival, de onde ministrava, orava e cantava louvores com quem encontrava. Também montou uma tenda de batismos, com uma banheira improvisada onde os que professavam fé eram batizados. Em vídeo divulgado, Renner conduziu um momento de adoração sob uma tenda no deserto, agradecendo por curas, salvações e corações abertos.

Repercussão

Segundo Renner, o grupo não teve oportunidade de conversar com quem apresentou a queixa e foi expulso sob acusações que considera falsas. Um dos integrantes questionou publicamente o critério, observando que o festival preza pela inclusão e pela expressão radical e perguntando se esses valores não valeriam também para o cristianismo. Registros do episódio circularam amplamente em redes sociais nos dias seguintes.

Análise do Boletim da Mesa

Duas observações, e nenhuma delas confortável.

A primeira é sobre o festival, e ela é fácil. Ambientes que se anunciam como radicalmente inclusivos costumam ter uma exceção não escrita, e ela quase sempre tem o mesmo nome. Tolerância que não alcança o cristão não é tolerância, é preferência. Vale nomear o fato sem transformá-lo em vitimização, porque ninguém foi preso, ninguém foi ferido e a comparação com o pastor executado em Mianmar deveria nos ensinar a calibrar o vocabulário.

A segunda é sobre nós, e é mais difícil. Batismo em banheira, no meio de um festival, em pessoas conhecidas há poucas horas, dentro de um ambiente de estímulo intenso e de substâncias, levanta uma pergunta pastoral séria que a euforia dos números tende a abafar. O batismo no Novo Testamento é entrada em uma comunidade que continua. Quem vai discipular essas pessoas na semana seguinte? Quem as encontra quando a poeira do deserto assentar?

Isso não desqualifica a coragem de ir. Ir é bíblico e a maioria de nós não vai a lugar nenhum. Mas evangelismo sem estrutura de acolhimento produz estatística, não igreja. E estatística não perseverou ninguém.

Juntos à Mesa refletimos que:

Ser expulso por pregar Cristo é honra antiga e não precisa de defesa. Batizar sem plano de discipulado, porém, não é ousadia, é pressa. E a pressa tem cobrado caro da igreja contemporânea.

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