A CRUZ QUE NOSSOS IRMÃOS AINDA CARREGAM
Nigéria e Síria: cristãos sob ataque no coração de dois continentes. Enquanto boa parte do mundo celebrava a Páscoa de 2026, cristãos na Nigéria e na Síria viviam algo radicalmente diferente. Não havia festa, não havia alegria despreocupada. Havia enterros.
BOLETIM DA MESA
Wender Gabriel
4/26/20263 min read
Nigéria: Páscoa de sangue no coração da África
No Domingo de Ramos, militantes armados invadiram Angwan Rukuba, bairro predominantemente cristão na cidade de Jos. Naquela noite, abriram fogo contra os moradores, matando pelo menos uma dúzia de inocentes. Portal Dias depois, na véspera da Páscoa, jihadistas fulani armados invadiram a comunidade cristã de Mbalom, no estado de Benue, incendiando casas, perseguindo famílias em fuga e massacrando pelo menos 17 fiéis que se preparavam para as celebrações. Missoesurgente
Todd Nettleton, vice-presidente da Voz dos Mártires, não deixou dúvida sobre a motivação dos ataques: os agressores gritavam palavras de ordem religiosa enquanto atiravam, em uma área 100% cristã da cidade. Portal Não se trata, portanto, de simples conflito étnico ou disputa por terras, como alguns insistem em afirmar. É perseguição religiosa, documentada, sistemática e tolerada.
As autoridades nigerianas responderam com julgamentos em massa: mais de 500 suspeitos compareceram ao tribunal federal em Abuja no início de abril, e quase 400 pessoas receberam sentenças que variam de cinco anos de prisão a prisão perpétua. Missoesurgente Um passo em direção à justiça, ainda que tardio e insuficiente para consolar as famílias que perderam seus filhos durante celebrações sagradas.
Os números falam por si. A Lista Mundial da Perseguição 2026, da Portas Abertas, registra que 3.490 dos 4.849 cristãos mortos por causa da fé no período analisado foram assassinados na Nigéria, o equivalente a 72% de todas as mortes por perseguição religiosa no mundo. Apenas na Nigéria, 2.293 cristãos foram sequestrados. Portas Abertas
Síria: o berço do cristianismo esvazia
A situação na Síria adiciona outra camada de gravidade ao quadro. Na véspera do Domingo de Ramos, uma multidão de jovens em motocicletas invadiu a cidade predominantemente cristã de Suqaylabiyah, na província de Hama, saqueando lojas, destruindo veículos, danificando propriedades da igreja e derrubando uma venerada estátua da Virgem Maria. Missoesurgente Quando as forças de segurança chegaram, em vez de proteger as mulheres cristãs que estavam sendo assediadas, prenderam os homens que tentavam defender sua cidade. Missoesurgente
Segundo os dados da Portas Abertas, restam apenas 300 mil cristãos na Síria, centenas de milhares a menos do que havia dez anos. CNBB A queda do ditador Assad no final de 2024, que muitos esperavam que trouxesse estabilidade, abriu espaço para um novo caos. A Síria saltou da 18ª para a 6ª posição no ranking mundial de perseguição, com intimidação, extorsão, assassinatos e ataques a igrejas, escolas e residências se tornando cada vez mais comuns. Gazeta do Povo
Um ex-morador cristão de Aleppo resumiu o sentimento das comunidades que ficaram: todos que conhece estão tentando encontrar maneiras de partir, porque não confiam que o novo governo os proteja. Missoesurgente O berço geográfico do cristianismo, a terra por onde Paulo caminhou, está sendo esvaziado de seus fiéis diante dos olhos do mundo.
O que isso nos diz?
Há uma tentação cômoda de ler essas notícias como tragédias distantes, problemas de outros continentes, dramas alheios à nossa realidade em Cuiabá ou em qualquer cidade brasileira. Mas a Escritura não nos permite esse conforto. Paulo escreveu que "se um membro sofre, todos os membros sofrem com ele" (1 Co 12.26). O corpo de Cristo não tem fronteiras geográficas.
Há também uma tentação de tratar esses ataques como exceções, anomalias de regiões instáveis. Os números da Portas Abertas mostram que não são. Entre os 50 países da Lista Mundial da Perseguição 2026, 34 registraram aumento da violência contra cristãos em relação ao ano anterior. Ongrace A perseguição não está diminuindo. Está crescendo, se sofisticando e se espalhando.
Jesus advertiu seus discípulos: "Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós, me odiou a mim" (Jo 15.18). A perseguição não é fracasso da missão. É, em certos contextos, o sinal de que ela está avançando.
Juntos à Mesa refletimos que:
a fé que celebramos aos domingos em segurança é a mesma fé pela qual nossos irmãos na Nigéria e na Síria pagam com a própria vida. Que isso nos tire da indiferença, nos leve à oração concreta e nos devolva a consciência de que pertencer ao corpo de Cristo é pertencer também ao seu sofrimento, à sua esperança e à sua vitória final.
Imagem por Gracious Adebayo in Unsplash
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